🔧 Yamaha Fazer 150 2014 — Código 46 e bateria descarregando
🎯 Qual é o problema da moto?
O caso apresentado é de uma Yamaha Fazer 150 ED 2014 que:
- está descarregando a bateria;
- apresenta código 46 no painel;
- aparentemente não está recarregando a bateria corretamente.
Código 46 não significa automaticamente que o estator ou o regulador/retificador está queimado.
Ele indica que existe uma irregularidade no sistema de carga. O diagnóstico precisa descobrir onde está a causa.
🧠 1. O que significa o código 46?
O sistema de diagnóstico da Yamaha utiliza piscadas para representar o código.
No exemplo da aula:
Código:
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Portanto:
🔴 Código 46 = irregularidade no sistema de carga
O professor explica que devemos inicialmente investigar:
Código:
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Mas existe uma coisa muito importante:
O defeito pode estar fora dessas peças.
Por exemplo:
Código:
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A aula cita inclusive a possibilidade de problema em:
- farol;
- lanterna traseira;
- painel;
- chicote;
- conexões;
- outros consumidores elétricos.
⚠️ 2. Não faça isso: "deu código 46, troca o regulador"
Esse é um dos principais ensinamentos.
Imagine que o cliente chega e diz:
"Minha Fazer está dando código 46."
O mecânico iniciante pode pensar:
"Regulador/retificador queimou."
❌ Não necessariamente.
O correto é:
Código:
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Só depois dos testes é que decidimos qual componente está realmente defeituoso.
🔋 3. Primeiro teste: verificar a bateria
No caso apresentado, a bateria estava totalmente descarregada.
O professor coloca uma bateria de teste para conseguir continuar o diagnóstico.
Isso é importante porque uma bateria completamente descarregada pode causar sintomas secundários.
O raciocínio é:
Código:
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🔍 4. Um teste muito interessante apresentado pelo professor
Depois de colocar outra bateria, ele observa o comportamento do código 46.
A lógica é:
Se o código desaparecer:
Não significa automaticamente que a moto está consertada.
Pode significar apenas que a ECU voltou a receber uma alimentação adequada da bateria.
Se o sistema de carga continuar defeituoso:
Quando a motocicleta estiver funcionando, a bateria continuará perdendo carga.
O professor demonstra exatamente essa situação.
O código desaparece, mas o multímetro mostra que a tensão da bateria não aumenta como deveria.
🧠 Essa é uma lição MUITO importante
Imagine:
Código:
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O mecânico poderia concluir:
"Resolvido!"
Mas não.
Agora coloque o multímetro:
Código:
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Então:
Código apagado ≠ defeito resolvido.
Essa frase vale ouro para diagnóstico eletrônico.
⚡ 5. Como funciona o sistema de carga?
Vamos simplificar o circuito:
Código:
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O estator produz energia.
O regulador/retificador recebe essa energia, faz a retificação/regulação necessária e envia energia para o sistema.
A bateria armazena essa energia.
🧰 6. Teste do estator — resistência
Na aula, o professor informa como referência para o estator original:
0,3 a 0,5 Ω
O estator dessa motocicleta já havia sido substituído e apresentou aproximadamente:
0,7 Ω
O professor explica que esse estator utilizava um enrolamento diferente/mais fino, resultando em resistência maior que a referência do original.
⚠️ Cuidado com medições abaixo de 1 Ω
Aqui existe uma informação muito importante para o aprendiz.
Estamos trabalhando com resistência muito baixa.
O próprio multímetro e as pontas de prova possuem resistência.
Por exemplo:
Código:
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Se depois você medir:
Código:
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a resistência real do enrolamento pode não ser exatamente 0,7 Ω.
Por isso, em medições de baixa resistência, é importante considerar a resistência das pontas e, quando disponível, utilizar método adequado de baixa resistência.
🔌 7. O estator é bifásico
Na aula são apresentados dois fios brancos.
O professor trata esse conjunto como o circuito do estator bifásico.
O teste de resistência é feito:
Código:
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Como estamos medindo resistência entre os dois terminais do enrolamento, não existe polaridade para esse teste.
⚡ 8. Teste de isolamento do estator para massa
Agora vem outro teste fundamental.
Não basta verificar a resistência entre os dois fios brancos.
Também precisamos verificar se o enrolamento está em curto com o motor/massa.
O teste é:
Código:
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Faça:
Primeiro fio:
Código:
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Segundo fio:
Código:
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Segundo o procedimento da aula, não deve haver continuidade.
🧠 Por que testar os dois fios separadamente?
Essa explicação do professor é particularmente interessante.
Imagine o enrolamento:
Código:
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Se ocorrer uma falha de isolamento em determinado ponto:
Código:
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dependendo do local do defeito, a medição de cada extremidade em relação à massa pode apresentar comportamentos diferentes.
Por isso:
Não faça apenas um teste. Teste cada fio contra a massa.
⚡ 9. Teste de tensão AC do estator
Agora vamos deixar o multímetro medir tensão alternada (AC).
Na aula é utilizada a escala de:
200 V AC
Com o conector do estator desconectado, mede-se entre os dois fios brancos.
Código:
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Na rotação apresentada pelo professor:
- aproximadamente 25–30 V em determinada condição;
- acelerando, chegou a aproximadamente 170 V.
Regra para o aprendiz:
Não decore apenas:
"Tem que dar 170 V."
O importante é entender que:
a tensão gerada deve variar conforme a rotação e estar dentro da especificação do fabricante para a condição de teste.
💡 10. Teste com lâmpada
Essa é uma parte interessante da aula.
O professor utiliza uma lâmpada automotiva 60/55 W como carga para verificar se o estator consegue fornecer corrente.
A ideia é:
Código:
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Se a lâmpada acende com força, existe capacidade de fornecer corrente à carga naquele teste.
⚠️ Tensão não é a mesma coisa que corrente
Esse conceito precisa ficar muito claro.
Você pode ter:
Tensão sem capacidade adequada de corrente.
Por isso o professor usa uma carga.
Pense assim:
Código:
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Uma forma simples de imaginar:
Tensão é como pressão. Corrente é como fluxo.
O teste com lâmpada coloca uma carga real no circuito.
🔥 11. Teste de curto do estator para massa com a lâmpada
Na aula também é utilizada a lâmpada para verificar se existe condução indevida entre o circuito do estator e a massa.
Segundo o procedimento mostrado:
Código:
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A lâmpada não deve acender nessa condição de teste de isolamento.
No exemplo apresentado, ela não acendeu.
Isso indicou que o estator não apresentava aquele curto para massa.
🔎 12. Até aqui: estator aprovado
Então temos:
Código:
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Portanto:
O problema provavelmente está depois do estator.
Agora precisamos seguir o caminho da corrente.
⚡ 13. Teste de corrente no regulador/retificador
Essa é uma das partes mais importantes da aula.
O professor conecta o alicate amperímetro no circuito para verificar o fluxo de corrente.
A lógica é:
Código:
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Se o estator está produzindo energia, mas essa energia não está chegando ao restante do sistema, precisamos descobrir onde ela está sendo interrompida.
🚨 E apareceu o defeito!
O professor movimenta a fiação próxima ao conector do regulador/retificador.
Observe o que acontece:
Código:
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Isso é uma pista de ouro.
Temos um mau contato/interrupção na região do conector.
O defeito não estava simplesmente no estator.
🔥 14. O conector tinha uma reparação anterior
Ao desmontar o conjunto, o professor encontra uma reparação anterior.
Foi identificado:
- reparo no chicote;
- fio de bitola diferente;
- emenda;
- problemas na conexão;
- sinais de aquecimento/curto no conector.
BITOLA DO FIO IMPORTA.
🧵 15. Por que não colocar um fio mais fino?
Imagine que o projeto original utiliza:
Código:
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e alguém substitui por:
Código:
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A capacidade de condução muda.
Se a corrente necessária for maior que a capacidade adequada daquele condutor:
Código:
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Pode acontecer:
efeito térmico → aumento de resistência → queda de tensão → mau funcionamento → dano ao conector.
🔥 16. E por que uma emenda ruim pode virar um problema depois?
Imagine uma conexão mal feita:
Código:
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Inicialmente:
"Funcionou!"
Mas com o tempo:
Código:
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É justamente a lógica apresentada pelo professor.
🛠️ 17. Como foi feita a reparação
O professor substitui a conexão problemática e utiliza:
- terminal adequado;
- fio de bitola compatível;
- crimpagem adequada;
- isolamento;
- tubo termorretrátil;
- conector apropriado.
Código:
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⚠️ Crimpagem x solda
A aula faz uma observação importante sobre isso.
O professor critica uma reparação baseada simplesmente em solda e fio inadequado para aquela aplicação e enfatiza a utilização do terminal/crimpagem correta.
A ideia para o aprendiz não deve ser:
"Solda nunca pode ser usada."
A ideia é:
A reparação deve respeitar o método, o terminal, a bitola e as características elétricas/mecânicas previstas para o circuito.
Em circuitos de corrente elevada e sujeitos a vibração, uma conexão mal executada pode virar um ponto de aquecimento e falha.
🔋 18. Depois do reparo, o sistema voltou a carregar
Após a reparação do conector, o professor faz novamente os testes.
A corrente passa a aparecer e aumenta conforme a rotação.
No material, são mencionadas leituras como:
- 7,6 A;
- aproximadamente 11 A;
- leituras de tensão também são apresentadas durante o teste.
No trecho final, alguns valores de tensão aparecem transcritos como "3,2 V", "1,9 V" e "3,9 V" durante o teste de carga.
Esses números não são coerentes com uma bateria de motocicleta operando normalmente, então não vou "corrigir" silenciosamente o professor/material.
Para diagnóstico real, esses valores devem ser conferidos diretamente no vídeo/instrumento ou comparados com o manual de serviço.
O que a aula claramente demonstra é:
depois do reparo, a corrente passou a circular e aumentava com a rotação, indicando que o problema de conexão havia sido corrigido.
🧠 19. Então qual era o defeito dessa Fazer?
Vamos montar o diagnóstico completo:
Código:
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Ou seja:
O código 46 era um sintoma do problema do sistema de carga, e a causa encontrada estava na conexão/fiação do regulador-retificador.
Esse é exatamente o tipo de diagnóstico que evita trocar peças desnecessariamente.
🧪 20. E por que o código 46 desapareceu antes do reparo?
Essa é uma das melhores partes para entender diagnóstico eletrônico.
Quando a bateria de teste foi instalada:
Código:
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Mas:
Código:
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continuava existindo um problema no carregamento.
Então:
A ECU deixou de enxergar naquele momento a condição que fazia o código aparecer, mas o sistema de carga continuava defeituoso.
Por isso o multímetro é tão importante.
🔧 21. Depois do reparo: apagar códigos da ECU
Na etapa final, o professor utiliza o scanner Yamaha para acessar o sistema de diagnóstico.
Ele entra no modo de diagnóstico e verifica os códigos armazenados.
No exemplo havia vários códigos registrados, incluindo referências ao:
- TPS;
- bobina de ignição;
- bico injetor;
- sistema de carga;
- sonda lambda.
💻 22. Apagar códigos não é consertar o defeito
Mais uma regra para guardar:
Código:
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O procedimento correto é:
Código:
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Se o defeito continuar:
Código:
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📚 Resumo da aula para o mecânico aprendiz
| Etapa | Teste | O que estamos procurando |
|---|---|---|
| 1 | Código 46 | Confirmar irregularidade do sistema de carga |
| 2 | Bateria | Saber se existe alimentação adequada |
| 3 | Tensão na bateria | Verificar se o sistema está carregando |
| 4 | Resistência do estator | Verificar enrolamento |
| 5 | Estator → massa | Procurar curto/isolamento defeituoso |
| 6 | Tensão AC do estator | Verificar geração |
| 7 | Teste com lâmpada | Verificar comportamento sob carga |
| 8 | Corrente no circuito | Verificar fluxo de energia |
| 9 | Mexer no chicote/conector | Localizar mau contato intermitente |
| 10 | Inspeção visual | Encontrar reparações/conexões defeituosas |
| 11 | Reparar corretamente | Restaurar o circuito |
| 12 | Repetir testes | Confirmar o reparo |
| 13 | Scanner | Conferir/apagar códigos armazenados |
🧠 A grande lição do professor Ivan
O que essa aula ensina não é simplesmente:
"Código 46 = problema no regulador."
A verdadeira lição é:
Código de falha indica uma área do sistema que precisa ser investigada. O mecânico deve seguir o caminho elétrico até encontrar a causa.
Neste caso:
Código 46 → sistema de carga → testar estator → estator OK → verificar fluxo → corrente interrompida → movimentar chicote → defeito no conector → reparar → confirmar carregamento.
Esse é o pensamento que diferencia o mecânico que troca peças do mecânico que faz diagnóstico.
Administrador


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